Crônica: Qual filme? - DELTA | Cultura online
Quarta-feira à noite, sem aula na quinta, supostamente uma ótima oportunidade para encontrar-se com seus vizinhos. Talvez tenham tido a mesma ideia, pois o whatsapp disparava com proposta do que faríamos naquela noite -com certeza qualquer coisa só para não continuarmos em nossas respectivas casas. Marcamos shopping para assistir Capitão América, mas infelizmente começaram os poréns: porém minha mãe não deixou, porém meu pai não pode buscar, porém não posso chegar muito tarde porque amanhã viajo, porém, porém.
Quase quando estávamos desistindo, chegamos à uma solução trivial: assistiríamos o filme aqui em casa, cada um traz algo para comermos e bebermos. Marcamos para o final da tarde. Tudo estava caminhando bem até vir o maior problema da noite: Qual filme iríamos assistir? 
Eu e um outro queríamos terror. Dois ali não assistem terror. Um não assiste filme legendado. Eu e uma detestamos filme dublado. Não bastávamos querer algo diferente, precisava ser opostos para não chegarmos em um consenso. Resolvemos olhar os últimos lançamentos para ver se algo agradava-nos mutualmente e se havia algum que nenhum dos cinco tivessem assistido.
Encontramos namoro ou liberdade e inacreditavelmente, ninguém havia assistido ainda. Mas havia um certo orgulho, ou talvez um teor de egocentrismo que impedíamos de assistir ao filme. Um só queria assistir terror, o outro queria ação, o outro queria dormir, a outra queria qual é o seu número?, e eu queria Namoro ou Liberdade mesmo. E nenhum dava o braço à torcer. Terminamos de fazer a pipoca e ainda não havíamos decidido. Por fim, três acabaram acatando Namoro ou Liberdade e, como na suposta democracia que vivemos, a maioria venceu. Queria eu que tivesse sido simples assim. Eles continuaram reclamando por quase dez minutos de filme. Foi necessário que eu e minha amiga gritássemos um "cala boca" e reiniciássemos o filme. Os garotos, indignados, fizeram silêncio mas ainda reclamavam hora ou outra durante o percorrer do filme. Cada um queria assistir o filme que lhe agradava. Ou talvez, apenas não queria abandonar a mania que eles tem de reclamar. E eu? Eu não perco essa minha mania de me divertir ao lado deles. Cada qual com suas manias. 

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